Especialistas criticam continuidade de violência policial no Brasil

Especialistas criticam continuidade de violência policial no Brasil

Pesquisadores e ativistas discutem a persistência de práticas violentas na segurança pública brasileira, alegando que essas abordagens remontam à época da ditadura militar.

Raízes da violência na segurança pública

Um painel realizado por especialistas trouxe à tona a continuidade de ações violentas por parte da polícia em diferentes estados do Brasil. Casos emblemáticos, como o Massacre do Carandiru e os Crimes de Maio, foram citados para ilustrar um padrão que, segundo denúncias, tem a ver com um sistema que ainda carrega as marcas da repressão.

A fundadora do grupo Mães de Maio, Débora Maria da Silva, perdeu seu filho durante os Crimes de Maio, que resultaram em mais de 500 mortes devido a represálias policiais. O tenente-coronel aposentado Adilson Paes de Souza compartilhou que o modelo atual de policiamento, criado sob a ditadura, ainda segue a mesma lógica de eliminar inimigos do Estado, mudando apenas os alvos. “A Polícia Militar foi estabelecida para exercer controle e vigilância, refletindo a anatomia dos mecanismos de repressão daquele período”, afirmou.

O debate também incluiu questões sobre a impunidade e a falta de responsabilização dos agentes policiais, que perpetuam a violência sob o pretexto de segurança. A necessidade de um modelo de policiamento mais justo e transparente, com supervisão democrática e adequada responsabilização, foi um ponto destacável nas falas dos especialistas. Oliveira, ouvidor das Polícias do Estado de São Paulo, enfatizou a urgência de discutir modelos de segurança e eliminar estruturas que ainda retêm os vestígios da ditadura.

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