Belo Monte: dez anos de críticas e impactos sociais

Belo Monte: dez anos de críticas e impactos sociais

Recentemente, completaram-se dez anos desde a inauguração da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, gerando embates sobre os impactos sociais e ambientais causados na região do Rio Xingu, no Pará.

Desdobramentos após a construção

Élio Alves da Silva, pescador e residente da comunidade de Santo Antônio, vivenciou as mudanças drásticas trazidas pela construção da usina. Em sua juventude, o projeto hidroelétrico começou a ser discutido em um contexto que prometia desenvolvimento, mas trouxe desafios imensos para a população local.

A instalação da usina em 2013, que desviou 80% do fluxo do Rio Xingu, afetou a vida de muitas famílias. Élio conta que a explosão do local e o desaparecimento dos peixes foram os primeiros indícios de que sua comunidade não seria mais a mesma. Ele e outras 67 famílias foram deslocados, sem garantias adequadas de moradia e sustento.

Enquanto isso, Sara Lima, de Belo Monte do Pontal, ainda reside na mesma área, mas relata a perda da segurança alimentar que um dia tiveram, ficando à mercê de alimentos escassos e água potável.

Pontos críticos e responsabilização

Para marcar a data, diversas organizações emitiram uma carta aberta ressaltando o agravamento das violações contra as comunidades afetadas. Essa declaração relembra as secas extremas em anos anteriores, exacerbando os impactos socioambientais.

A advogada Erina Gomes, do Programa de Direitos Humanos e Meio Ambiente, destacou que Belo Monte é reconhecida como um desastre nesse aspecto. Decisões futuras referentes a energia limpa devem levar em conta os erros cometidos neste projeto para não repetir tais violações.

A concessionária Norte Energia, que administra a usina, relatou que a instalação é um suporte crucial para o Sistema Interligado Nacional. Contudo, apesar dos investimentos em compromissos socioambientais, as comunidades ainda clamam por melhorias estruturais e reparações justas. Sara Lima, entre outros, reforça que pequenos projetos não conseguem compensar a riqueza de recursos que o rio proporcionava antes da construção.

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