A importância das ondas de calor no Brasil é frequentemente subestimada, conforme enfatiza a professora Renata Libonati da UFRJ. Durante um painel no Museu do Amanhã, ela alertou que o fenômeno tende a se intensificar com a chegada de um novo El Niño.
Dados alarmantes sobre mortes por calor
A pesquisadora apresentou estatísticas alarmantes que revelam cerca de 50 mil mortes relacionadas a ondas de calor entre 2000 e 2020, de acordo com o Sistema Único de Saúde (SUS). Esta cifra é impressionante, sendo 20 vezes maior que as mortes por deslizamentos de terra no mesmo período, mas ainda é vista como um problema negligenciado.
Libonati também discutiu a conexão entre ondas de calor, secas e incêndios, evidenciando que as condições para a propagação de fogo podem ser favorecidas durante anos de El Niño, que deve resultar em temperaturas anormais em 2026. Outro aspecto importante é que os efeitos do fenômeno não são uniformes no país; enquanto o Sul pode enfrentar enchentes, o Norte e o Nordeste podem sofrer com secas severas.
O pesquisador José Marengo destacou que além dos impactos climáticos, o El Niño também afeta setores críticos como a produção de alimentos e o fornecimento de energia. Ele advertiu que o fenômeno agrava problemas já existentes, demandando uma resposta efetiva do Brasil em termos de adaptação às mudanças climáticas. Paulo Artaxo reforçou que o país deve acelerar essa adaptação e contribuir para minimizar os danos, especialmente entre as populações mais vulneráveis.












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