Mulheres enfrentam elevado risco de violência de gênero devido à sobrecarga de responsabilidades com filhos e lar, afirmam especialistas em entrevista à Agência Brasil.
Condições que favorecem a violência doméstica
A Lei Maria da Penha, que celebra 20 anos, visa proteger mulheres contra agressões no âmbito familiar, mas muitos fatores ainda contribuem para a continuidade da violência.
A professora Thamires da Silva Ribeiro, da Uerj, destaca a relação entre a política de cuidado e a proteção das mulheres, citando a dificuldade em deixar situações de abuso quando estão sobrecarregadas. Este cenário é ainda mais grave para mulheres negras, que enfrentam desigualdades socioeconômicas.
Estatísticas revelam que as mulheres dedicam em média 21,3 horas semanais a serviços domésticos, enquanto os homens gastam apenas 11,7 horas. Thamires ressalta a importância da Política Nacional de Cuidados, que busca dividir responsabilidades e permitir que mulheres acessem oportunidades econômicas, ajudando-as a se libertarem de ciclos de violência.
Os números de violência contra a mulher são alarmantes, com registros de feminicídio aumentando 4% em 2025, totalizando 1.571 casos. Além disso, houve um crescimento em agressões domésticas e ameaças, refletindo um problema persistente da sociedade.
A dependência financeira e emocional das mulheres também as impede de romper com relações abusivas, conforme aponta a advogada Marilha Boldt. Ela enfatiza que muitas se sentem presas a um ciclo vicioso que compromete seu bem-estar e potencial.
Para a superintendente Claudia Araujo, a estrutura patriarcal continua a reforçar a ideia de que a mulher deve ser a cuidadora principal, dificultando sua capacidade de romper com relacionamentos violentos. Claudia defende a importância da Lei Maria da Penha e a atuação de órgãos de proteção para garantir que as mulheres não permaneçam isoladas em suas lutas.
As mulheres têm à sua disposição diversos canais de denúncia, incluindo o Ligue 180, um serviço do Ministério das Mulheres disponível 24 horas. Além disso, as autoridades locais colaboram na proteção por meio de delegacias especializadas e defensores públicos que podem auxiliar na obtenção de medidas protetivas.












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