A detecção tardia do câncer de pulmão compromete as chances de cura dos pacientes, com cerca de 89,6% dos diagnósticos realizados no Brasil em 2023 já em estágios avançados da doença. Isso foi revelado por um estudo do Instituto Lado a Lado pela Vida.
Dados alarmantes sobre o diagnóstico no Brasil
O câncer de pulmão é apelidado de “doença silenciosa” e, segundo o oncologista Igor Morbeck, muitos casos são identificados apenas em fases 3 e 4, onde o prognóstico de cura é mínimo. Analisando 14.145 registros do Sistema Único de Saúde, o estudo apontou que somente 10,4% dos pacientes foram diagnosticados em estágios iniciais.
Os fatores de risco, como tabagismo, má alimentação e sedentarismo, estão contribuindo para o aumento de casos. O especialista destaca a necessidade de realização de tomografias anuais, especialmente para os fumantes, enfatizando que o SUS oferece esse exame, que é crucial para um diagnóstico precoce. Entretanto, ele aponta a falta de programas de rastreamento efetivos e que muitos pacientes procuram atendimento apenas quando os sintomas se agravam.
A qualidade das informações sobre câncer no SUS também é criticada, com uma porcentagem significativa de diagnósticos sem detalhes sobre o estadiamento do tumor. Morbeck alerta que exames inadequados, como raios X, muitas vezes resultam em diagnósticos tardios, perpetuando o ciclo de agravamento da doença.
As cifras são preocupantes: o Instituto Nacional de Câncer estima que, entre 2026 e 2028, surgirão 35.380 novos casos de câncer de pulmão anualmente. Enquanto isso, Mônica Chain Montone, uma paciente que se recuperou do câncer, defende a implementação de políticas públicas para realizar exames preventivos em tabagistas, promovendo a conscientização sobre a doença durante o mês de agosto, dedicado à sua prevenção.












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