A agricultora Sueli Bessa, de 39 anos, da comunidade rural quilombola de Nova Esperança, no Rio Grande do Norte, relata que as secas prolongadas estão ameaçando a produção agrícola local, fazendo com que frutas como a goiaba desapareçam cada vez mais. O relato coincide com a participação dela em um encontro nacional das mulheres quilombolas, que discute a justiça climática.
Impactos severos na agricultura familiar
As comunidades quilombolas, como a de Nova Esperança com 70 famílias, enfrentam um cenário desolador devido às mudanças climáticas. As condições extremas, com alternância entre secas e tempestades, resultaram na migração de alguns moradores para empregos em áreas urbanas, longe da prática da agricultura familiar.
Adicionalmente, a falta de infraestrutura adequ adequada, como ruas não asfaltadas e a ausência de abastecimento regular de água, agrava ainda mais a situação local. Sueli, que vende produtos como geleias, sonha em concluir o ensino médio e buscar uma formação superior para auxiliar sua comunidade. O mesmo desejo compartilha sua filha, a estudante Suelene Ribeiro, de 21 anos.
No evento, foi lançado o livro “Vozes quilombolas: mulheres em defesa do clima”, que aborda as dificuldades que essas comunidades estão enfrentando. A agrônoma Fran Paula destaca os impactos de grandes empreendimentos nos territórios quilombolas e a necessidade urgente de regularização fundiária para garantir a justiça climática.
A coordenação da Conaq também revela que outras comunidades, como a de Mesquita em Goiás, aguardam demarcação de terras, que é crucial para proteger os modos de vida e produção local. O cultivo de marmelo e a produção de beiju artesanal na comunidade de Divino Espírito Santo, no Espírito Santo, também estão ameaçados pelas variações climáticas, ressaltando a urgência desses problemas ambientais e sociais.












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