Estudo propõe tarifa zero no transporte como alternativa ao Bolsa Família

Estudo propõe tarifa zero no transporte como alternativa ao Bolsa Família

Uma pesquisa recente realizada por instituições de ensino superior sugere que a gratuidade no transporte público nas capitais brasileiras poderia injetar R$ 60,3 bilhões por ano na economia, semelhante aos efeitos do Programa Bolsa Família.

Possíveis impactos econômicos da medida

Divulgado na última terça-feira por pesquisadores da Universidade de Brasília e da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o estudo intitulado “A Tarifa Zero no Transporte Público como Política de Distribuição de Renda” argumenta que essa política poderia ajudar a reduzir as desigualdades raciais no país.

Coordenado pelo professor Thiago Trindade, o estudo analisou dados da Pesquisa Nacional de Mobilidade e indicadores de serviços de transporte. A pesquisa considerou as isenções existentes, como aquelas para idosos e estudantes, resultando em uma injeção real de R$ 45,6 bilhões na economia, após descontar cerca de R$ 14,7 bilhões em benefícios já concedidos.

Os pesquisadores destacam que a proposta de tarifa zero representa uma forma de aumentar a renda disponível das famílias, convertendo gastos em consumo e, assim, impulsionando a arrecadação de impostos. Além disso, a medida seria especialmente benéfica para as populações vulneráveis e moradores de periferias, funcionando como um “salário indireto”.

Os autores do estudo também defendem que essa gratuidade no transporte deveria ser considerada um direito social, assim como a saúde e educação públicas. Eles acreditam que a implementação dessa política colocaria o Brasil na vanguarda das iniciativas globais para enfrentar desigualdades sociais.

Quanto ao financiamento, a pesquisa sugere a substituição do atual sistema de vale-transporte por um modelo que envolva contribuições de empresas com mais de dez funcionários, isentando 81,5% dos estabelecimentos dessa nova contribuição. O professor Trindade afirma que é possível viabilizar a tarifa zero sem afetar o orçamento da União.

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