Crescimento da violência digital contra mulheres jornalistas

Crescimento da violência digital contra mulheres jornalistas

Um novo relatório da ONU Mulheres, em parceria com a TheNerve, revela dados alarmantes sobre a violência online enfrentada por mulheres jornalistas e comunicadoras. O estudo destaca que 12% dessas profissionais relataram experiências de compartilhamento não consensual de imagens pessoais.

Impactos da violência digital

O documento intitulado “Ponto de Virada: Violência Online, Impactos, Manifestações e Reparação na Era da IA” mostra que 6% das mulheres entrevistadas foram vítimas de deepfakes, e quase 30% receberam propostas sexuais indesejadas através de plataformas digitais. O relatório também indica que a autocensura entre essas mulheres se intensificou, com 45% afirmando ter se autocensurado nas redes sociais em 2025, um aumento de 50% em relação a 2020.

A violência online está profundamente enraizada na misoginia, segundo Kalliopi Mingerou, chefe da Seção de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres da ONU Mulheres. A responsável alertou sobre a facilidade com que a Inteligência Artificial pode potencializar esses abusos, o que afeta diretamente a saúde mental das profissionais da mídia, evidenciado pelo fato de 24,7% delas terem sido diagnosticadas com ansiedade ou depressão relacionada a essas experiências. Além disso, quase 13% relataram diagnósticos de transtorno de estresse pós-traumático.

O estudo também aponta que embora a conscientização tenha aumentado, com 22% das entrevistadas dispostas a denunciar a violência à polícia e 14% buscando medidas legais, ainda há lacunas significativas na proteção legal. Apenas 40% dos países possuem legislação eficaz contra assédio online, deixando 1,8 bilhões de mulheres e meninas sem acesso a esse tipo de proteção.

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