Mortes no sistema prisional de SP ocorrem a cada 19 horas

Constatações alarmantes acerca do sistema prisional de São Paulo foram apresentadas em um relatório recente, revelando uma média de 500 mortes anuais entre os detentos.

Dados preocupantes no sistema carcerário

O estudo, elaborado pelo Núcleo Especializado de Situação Carcerária (NESC) da Defensoria Pública, compilou informações desde 2015 até o primeiro semestre de 2023, totalizando 4.189 óbitos. O relatório foi divulgado pelo Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe).

De acordo com o presidente do Condepe, Adilson Santiago, a situação do sistema prisional é crítica, caracterizada como um colapso diante da incapacidade de atender adequadamente a população carcerária de aproximadamente 200 mil pessoas. Ele atribui a alta taxa de mortalidade às condições precárias de saúde e à superlotação nas unidades prisionais.

O relatório enfatiza a insuficiência da cobertura de saúde nas prisões, observando que 78 das 92 unidades prisionais não possuem equipes do Sistema Único de Saúde (SUS). Em muitos casos, o atendimento é feito por profissionais da própria Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), e há uma falta de médicos regulares nas unidades.

Além disso, em 2024 e 2025, ocorreram 67.982 atendimentos médicos fora das unidades prisionais, mas 22.814 não puderam ser realizados devido à falta de escolta. Entidades envolvidas no relatório alertam para a negativa do estado nas condições de saúde dos presos, levando a uma situação de vulnerabilidade extrema e multas frequentes em tratamentos que deveriam ser garantidos.

A SAP afirmou que realiza ações de prevenção, diagnóstico e tratamento no sistema prisional, e que, desde 2024, oferece telemedicina para avaliações médicas especializadas. No entanto, as críticas persistem sobre a qualidade e a efetividade desses atendimentos.

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