Wadson Regis compara iniciativas de São Paulo e do Ceará e cobra dos pré-candidatos ao governo um plano para garantir água no Estado
Enquanto São Paulo investe em infraestrutura para ampliar a segurança hídrica e se preparar para períodos de estiagem, municípios de Alagoas enfrentam os efeitos da seca e têm situação de emergência reconhecida. O contraste é usado pelo jornalista Wadson Regis para defender que o Estado adote uma política permanente de planejamento e construção de barragens.
Em São Paulo, os reservatórios de Pedreira, no rio Jaguari, e Duas Pontes, no rio Camanducaia, foram projetados para armazenar água durante os períodos chuvosos e garantir maior oferta nos meses de estiagem. De acordo com o governo paulista, as duas estruturas terão capacidade conjunta de 85 bilhões de litros e poderão beneficiar cerca de 5,5 milhões de pessoas.
A estratégia voltou ao debate político no último domingo, 9 de agosto, quando o governador Tarcísio de Freitas defendeu, em debate promovido pela Band com Fernando Haddad, a necessidade de antecipar investimentos para evitar que a escassez se transforme em uma crise de abastecimento.
É justamente esse modelo de planejamento que Wadson Regis tenta levar para o debate alagoano por meio do movimento Barragens Já!. Para ele, a segurança hídrica deve ser tratada como uma agenda de Estado, independentemente de posições políticas ou disputas eleitorais.
Wadson também cita o Ceará como referência. Durante a gestão de Ciro Gomes, o Estado ampliou sua infraestrutura para enfrentar períodos de escassez, tendo o Canal do Trabalhador como uma das obras associadas à estratégia de garantir maior disponibilidade de água. A experiência, segundo o jornalista, mostra que a prevenção pode reduzir os efeitos provocados pelas estiagens.
A situação de Alagoas, segundo Wadson, torna a discussão ainda mais urgente. Em 2026, municípios do interior tiveram o reconhecimento federal de situação de emergência em razão da estiagem. Em abril, Piranhas, São José da Tapera e Palmeira dos Índios estavam entre as cidades atingidas. No mês seguinte, Estrela de Alagoas e Maravilha também foram incluídas entre os municípios afetados.
Para Wadson, os decretos de emergência não deveriam representar apenas uma resposta imediata à falta de água, mas servir como sinal para a adoção de medidas estruturantes. A proposta defendida pelo movimento Barragens Já! inclui reservatórios voltados ao abastecimento humano, à irrigação e à produção agrícola, além de ações relacionadas à prevenção de enchentes e ao desenvolvimento econômico.
A cobrança também alcança a disputa pelo Governo de Alagoas. JHC e Renan Filho, nomes que aparecem no cenário da sucessão estadual, são chamados por Wadson a apresentar propostas concretas para a segurança hídrica do Estado.
A cobrança inclui perguntas sobre obras, cronogramas, investimentos e prazos. Para o jornalista, não basta discutir a falta d’água quando os reservatórios já estão baixos ou quando municípios precisam recorrer a medidas emergenciais. O planejamento, defende, precisa começar antes da próxima estiagem.
A comparação com São Paulo e Ceará serve, portanto, como ponto central da proposta. Wadson sustenta que Alagoas precisa transformar a segurança hídrica em uma política permanente, com investimentos capazes de preparar o Estado para períodos de seca e, ao mesmo tempo, aproveitar melhor os recursos hídricos durante os períodos de chuva.
“Tem que ser política de Estado”, enfatiza Wadson Regis.












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