Contra o relógio: Justiça dá 24 horas para instituto comprovar legalidade de pesquisa sobre JHC

Contra o relógio: Justiça dá 24 horas para instituto comprovar legalidade de pesquisa sobre JHC

Decisão do TRE-AL exige que empresa de primo de Arthur Lira apresente contratos e notas fiscais após suposta contratante denunciar fraude no levantamento

A polêmica em torno da pesquisa eleitoral registrada sob o número AL-04608/2026 ganhou um novo e urgente capítulo jurídico. O Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) estipulou o prazo de 24 horas para que o Grupo de Pesquisa São Judas Tadeu (TDL Pesquisa) apresente toda a documentação que comprove a regularidade e a legitimidade do financiamento do estudo estatístico.

A determinação partiu do juiz auxiliar da Propaganda, desembargador eleitoral Leo Dennisson Bezerra de Almeida, provocada por novos elementos levados aos autos pelo MDB. A representação partidária anexou o bombástico posicionamento da empresa R B Dantas Ltda., que desmentiu publicamente o instituto ao afirmar que jamais contratou o levantamento, não autorizou a emissão de nota fiscal em seu nome e não pagou os R$ 47 mil cobrados pelo serviço.

O caso ganha forte conotação política devido aos personagens envolvidos. A TDL Pesquisa pertence ao empresário Tadeu Lira, primo do deputado federal Arthur Lira (PP). O levantamento questionado trazia números que colocavam o prefeito JHC em posição de vantagem na corrida pelo Governo do Estado.

Em seu despacho, o magistrado destacou a gravidade e a relevância das acusações trazidas pelo MDB, uma vez que elas atingem diretamente requisitos obrigatórios exigidos pela legislação para o registro de pesquisas, tais como a real identificação do contratante, a origem lícita dos recursos financeiros e a respectiva documentação fiscal.

Apesar do cerco burocrático, o desembargador optou por não suspender de imediato a divulgação dos dados. O entendimento foi de que, como os números já haviam se tornado públicos e o contraditório ainda precisa ser respeitado, faz-se necessário ouvir a empresa responsável antes de analisar qualquer pedido de liminar urgente.

Agora, a TDL Pesquisa precisa correr para colocar na mesa o contrato formal de prestação de serviços, eventuais autorizações da R B Dantas Ltda. para faturamento e os comprovantes bancários que demonstrem de onde veio o dinheiro utilizado. Assim que o prazo expirar, com ou sem a manifestação do instituto de Tadeu Lira, o relator deve dar o veredito sobre a validade ou a censura da pesquisa.

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