Cerco ao IPREV: Justiça deve forçar entrega de dados sobre contratos ligados a JHC e ao Banco Master

Cerco ao IPREV: Justiça deve forçar entrega de dados sobre contratos ligados a JHC e ao Banco Master

Ação movida pelo vereador Rui Palmeira questiona sigilo de consultoria que orientou repasse de R$ 80 milhões de fundo de servidores de Maceió

Os desdobramentos do escândalo envolvendo o Banco Master ganharam um novo e tenso capítulo jurídico na capital alagoana. A Justiça de Alagoas deve obrigar o Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió (IPREV) a quebrar o sigilo e entregar toda a documentação referente à contratação da Crédito & Mercado, empresa de consultoria que atuou diretamente nas decisões financeiras do órgão.

A iminente decisão atende a um mandado de segurança impetrado pelo vereador Rui Palmeira (PSD). O parlamentar acionou o Poder Judiciário após a Prefeitura de Maceió, sob a gestão do prefeito JHC (PL), ignorar os pedidos de acesso à informação protocolados por ele desde outubro do ano passado, ferindo os prazos legais de transparência pública.

De acordo com a denúncia, a Crédito & Mercado teve um papel central no direcionamento das economias dos servidores municipais. Representantes da consultoria conduziram reuniões, avaliaram carteiras de ativos e deram suporte técnico para o Conselho de Administração e para o Comitê de Investimentos do instituto, respaldando decisões financeiras de alto impacto.

O caso mais emblemático ocorreu em dezembro de 2023, quando o IPREV aprovou de uma só vez um aporte de R$ 80 milhões no Banco Master. Registros oficiais daquela reunião revelam que o então presidente do fundo de previdência, Ronnie Reyner Teixeira Mota — gestor de estreita confiança e aliado político de JHC —, avisou aos conselheiros que os trabalhos daquela aplicação seriam totalmente capitaneados e conduzidos pela Crédito & Mercado.

A pressa de Rui Palmeira em obter os contratos se justifica pelo cenário nacional. A consultoria em questão é um dos alvos principais da Polícia Federal, que investiga se a empresa funcionava como um braço operacional para direcionar, de forma criminosa e mediante vantagens financeiras, recursos de Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) de várias prefeituras do país para investimentos de risco na instituição bancária que acabou liquidada.

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