Ofensiva jurídica e censura: JHC acumula 35 ações contra jornalistas em meio à repercussão do Caso Master

Ofensiva jurídica e censura: JHC acumula 35 ações contra jornalistas em meio à repercussão do Caso Master

Levantamento divulgado pelo jornal O Globo revela investida judicial do ex-prefeito de Maceió para conter reportagens sobre a aplicação de R$ 117 milhões do Iprev.

O ex-prefeito de Maceió e pré-candidato ao Governo do Estado, JHC (PSDB), deflagrou uma ampla ofensiva jurídica nos tribunais alagoanos. Um levantamento realizado junto ao Tribunal de Justiça de Alagoas, divulgado pelo jornalista Lauro Jardim em sua coluna no jornal O Globo, revela que o tucano já acumula 35 ações judiciais contra profissionais da imprensa e veículos de comunicação locais.

O estopim para a onda de processos é a cobertura jornalística do chamado Caso Master. A maior parte das ações tenta barrar ou punir a divulgação de informações sobre o polêmico investimento de R$ 117 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em Letras Financeiras do Banco Master, operação realizada sob a gestão do ex-prefeito.

Grandes redes e veículos tradicionais do estado entraram na mira da equipe jurídica de JHC. Entre os alvos das notificações e processos cíveis estão a CBN Maceió, a Jovem Pan Maceió e a Folha de Alagoas, que vinham dedicando espaço diário em suas grades para analisar os riscos da aplicação sem o aval do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Liberdade de imprensa versus blindagem de imagem

A avalanche de processos em pleno período de pré-campanha eleitoral acendeu o alerta em entidades de classe e reacendeu o debate sobre censura e os limites da liberdade de expressão em Alagoas. Críticos apontam que a estratégia busca criar um “efeito resfriamento”, intimidando redações para abafar um tema incômodo ao pré-candidato.

Apesar da pressão, a blindagem judicial tem encontrado barreiras nos magistrados locais. Em decisões recentes, juízes do TJ-AL rejeitaram pedidos de liminar que exigiam a retirada de matérias do ar, reforçando que o interesse público e o livre exercício da atividade jornalística devem prevalecer quando o assunto envolve patrimônio público e servidores inativos.

A investida do grupo de JHC também cruzou a fronteira da imprensa e atingiu a arena política. Principal rival do tucano no estado, o senador Renan Calheiros (MDB) também virou alvo de medidas judiciais após utilizar a tribuna do Congresso Nacional e suas redes sociais para classificar o episódio como um dos maiores escândalos financeiros recentes da capital alagoana.

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