PF na rua: Operação contra fraude em previdência joga mais combustível no escândalo do Iprev de Maceió

PF na rua: Operação contra fraude em previdência joga mais combustível no escândalo do Iprev de Maceió

Deflagração da Operação Take Over nesta quarta (10) investiga sumiço de milhões em Pernambuco usando o mesmo Banco Master que recebeu R$ 117 milhões da prefeitura da capital alagoana.

A Polícia Federal amanheceu nas ruas nesta quarta-feira (10) com a Operação Take Over, uma ação que caiu como uma verdadeira bomba nos bastidores políticos de Alagoas. A investigação mira fraudes e rombos em fundos de previdência municipal que aplicaram dinheiro público no Banco Master. Embora os mandados de busca e apreensão tenham sido cumpridos em Pernambuco e no Rio de Janeiro, o avanço da PF colocou ainda mais pressão sobre o caso do Iprev de Maceió, que despejou a quantia de R$ 117 milhões na mesma instituição financeira antes de ela quebrar.

O foco inicial da PF é o município de Paulista (PE), onde os gestores locais aplicaram mais de R$ 3 milhões no banco. De acordo com os investigadores, existem indícios claros de que a aplicação foi feita atropelando as regras de governança e esvaziando os poderes do comitê de investimentos, que deveria fiscalizar onde o dinheiro dos aposentados estava sendo colocado. A PF apura crimes de gestão fraudulenta, contra o sistema financeiro e o pagamento de propina para servidores liberarem os recursos.

O que chama a atenção em Brasília e Alagoas é a semelhança dos métodos e o tamanho do prejuízo. Se a PF montou uma grande operação por conta de um rombo de R$ 3 milhões em Pernambuco, a situação de Maceió ganha contornos muito mais graves, já que o valor investido pelo Iprev alagoano é quase 40 vezes maior.

Ação popular pede bloqueio de bens de envolvidos

O cerco em torno do dinheiro sumido dos servidores de Maceió ganhou força na Justiça. O senador Renan Calheiros (MDB-AL) entrou com uma ação popular exigindo o bloqueio imediato dos bens de ex-dirigentes do Iprev, do ex-prefeito JHC e também do controlador do Banco Master, o empresário Daniel Vorcaro.

A pressa para congelar as contas e o patrimônio dos envolvidos tem um motivo urgente: o Banco Master sofreu liquidação extrajudicial pelo Banco Central em novembro de 2025, logo após Daniel Vorcaro ser preso pela Polícia Federal em outra operação por fraude e organização criminosa.

Com o banco fechado pelas autoridades, a chance de os servidores municipais verem a cor desse dinheiro de volta pelo caminho normal virou quase impossível. A ação popular tenta garantir que os bens particulares dos envolvidos sirvam de garantia para ressarcir os cofres públicos e salvar a aposentadoria dos trabalhadores de Maceió. Com a PF agora investigando formalmente o destino desses recursos pelo Nordeste, a tendência é que o escândalo ganhe novos capítulos nos próximos dias.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *