Pesquisa mostra que autonomia na gestão do dinheiro incentiva o planejamento e o consumo consciente; ambiente interativo em Alagoas apoia famílias na orientação infantil.
Por Redação com assessoria
A relevância de introduzir a educação financeira na infância ganhou embasamento científico em um estudo publicado na revista Estudos Econômicos, da Universidade de São Paulo (USP). A pesquisa indica que crianças e adolescentes que recebem mesada e possuem autonomia para gerenciar o próprio dinheiro desenvolvem uma compreensão mais sólida sobre planejamento financeiro, consumo consciente e tomada de decisões.
O levantamento, intitulado “Papai ou mamãe pode me dar uma mesada?”, foi elaborado pelos pesquisadores Ivana Carla Strapazzon, Marco Tulio Aniceto França e Gustavo Saraiva Frio com base em dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). Os resultados apontam que o aprendizado se torna efetivo quando a mesada é utilizada como uma ferramenta de autonomia, e não meramente como uma recompensa por tarefas cumpridas ou metas de comportamento.
O desafio entre a teoria e a prática familiar
Embora a prática seja bem-vista, muitas famílias ainda hesitam por receio de que o dinheiro precoce estimule o consumo desenfreado. Dados de um levantamento da Serasa e Opinion Box revelam esse descompasso:
- 89% dos pais acreditam que a mesada contribui diretamente para a educação financeira dos filhos.
- Apenas 56% dos responsáveis efetivamente adotam a prática dentro de casa.
- 79% das famílias mantêm conversas frequentes com as crianças sobre poupança e planejamento, mostrando uma preocupação crescente com hábitos saudáveis.
De acordo com Karina Lira, gerente de Desenvolvimento do Cooperativismo da Sicredi Expansão — instituição que desenvolve ações na área —, o diálogo e os limites são indispensáveis.
“Mais importante do que o valor é a oportunidade de ensinar conceitos como planejamento, escolhas e responsabilidade. A criança aprende na prática a lidar com recursos limitados”, afirma Karina.
A experiência prática também é defendida por Luciana Lepletier, administradora, gerente de Agronegócios da instituição e mãe de dois filhos. Ela conta que a falta de instrução financeira em sua própria infância a motivou a agir de forma diferente hoje. “Tento ensinar aos meus filhos que o dinheiro exige esforço, planejamento e limites. A gente conversa sobre gastos, faz combinados e tenta mostrar que não dá para ter tudo o tempo inteiro”, relata.
Orientação prática e ludicidade
Para que a mesada não seja encarada apenas como um “dinheiro livre”, os especialistas recomendam que os pais estabeleçam regras claras sobre os valores, a frequência dos repasses e os objetivos, acompanhando de perto a utilização do recurso.
Como suporte nesse processo, as famílias e escolas contam com o Espaço de Educação Financeira, localizado na sede da Sicredi Expansão. Inaugurado recentemente, o ambiente interativo foi desenvolvido em parceria com a Fundação Sicredi e a MSP Estúdios. O local trabalha de forma lúdica conceitos de responsabilidade com gastos e consumo consciente. O espaço é aberto ao público e as visitas podem ser agendadas por meio do link disponível no perfil do Instagram da cooperativa (@sicrediexpansao).












Deixe um comentário