Alagoas realiza 2º ciclo de audiências concentradas de 2026 no sistema socioeducativo

Alagoas realiza 2º ciclo de audiências concentradas de 2026 no sistema socioeducativo

Mutirão na Sumese reavalia 21 jovens em conflito com a lei; mais de 70% dos casos analisados resultaram em progressão de medida socioeducativa.

O Sistema Socioeducativo de Alagoas recebeu, nesta terça (2) e quarta-feira (3), o segundo ciclo de audiências concentradas de 2026. Promovido pela 1ª Vara Criminal da Capital – Infância e Juventude, o mutirão ocorreu na Superintendência de Medidas Socioeducativas (Sumese) e realizou a revisão processual de 21 adolescentes e jovens em cumprimento de medida.

A iniciativa faz parte do programa Fazendo Justiça, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Sob a condução de um juiz da Infância e Juventude, o trabalho é feito de forma integrada com o Ministério Público, a Defensoria Pública e as equipes técnicas da Secretaria de Estado de Prevenção à Violência (Seprev). O foco é promover uma escuta especializada e individualizada para reavaliar a situação jurídica e psicossocial de cada socioeducando, analisando os avanços pedagógicos obtidos no período.

Expressivo índice de progressões e reinserção social

As avaliações deste ciclo geraram um volume expressivo de progressões de regime. Dos 21 jovens analisados, 15 conquistaram a transição para regimes de cumprimento mais brandos, sendo:

  • 12 progressões para o regime de semiliberdade;
  • 3 progressões para o regime de liberdade assistida.

O restante dos casos dividiu-se em duas manutenções em semiliberdade e quatro manutenções da medida de internação. Os adolescentes que progrediram para a liberdade assistida ganham a oportunidade de ingressar no Pega a Visão. Trata-se de um programa pós-medida do governo estadual voltado ao acompanhamento contínuo, qualificação profissional e suporte à reinserção social.

Análise humana e pedagógica

O juiz Vinícius Garcia, da 1ª Vara Criminal da Capital, destacou que o formato das audiências concentradas viabiliza uma análise mais profunda e sensível, que vai além dos autos do processo. Segundo o magistrado, o mutirão permite compreender o contexto familiar e emocional dos jovens, consolidando o caráter pedagógico da medida e oferecendo reais oportunidades de recomeço.

A visão é compartilhada pelo secretário da Seprev, Ricardo Dória, que enfatizou a importância de alinhar a responsabilização do jovem com a garantia de seus direitos. Já o superintendente da Sumese, Coronel Marcos Sérgio, pontuou que o volume de progressões coroa um trabalho diário baseado em educação e acolhimento familiar. Para ele, a eficiência do modelo aplicado em Alagoas serve como referência nacional e atua diretamente na prevenção da reincidência de atos infracionais.

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