ASSASSINATO EM RIO LARGO – Quem mandou matar Kleber Malaquias? Mistério permanece às vésperas do último júri

ASSASSINATO EM RIO LARGO – Quem mandou matar Kleber Malaquias? Mistério permanece às vésperas do último júri
Ex-PM acusado de integrar a vigilância da vítima antes da execução será o último réu do processo principal a ser julgado

Cinco anos após o assassinato do empresário e ativista social Kleber Malaquias, a principal ação penal sobre o caso se aproxima do desfecho. Na próxima segunda-feira (20), o ex-policial militar Marcos Maurício Francisco dos Santos será levado ao Tribunal do Júri, em Maceió, acusado pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL) de participar do monitoramento da vítima antes da execução. Apesar das condenações já impostas a outros envolvidos, a investigação ainda não identificou quem teria ordenado o crime.

O julgamento está marcado para as 8h, no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, e encerra a fase de apreciação dos réus pronunciados no processo principal. Para o Ministério Público, Marcos Maurício integrava a estrutura responsável por acompanhar a rotina de Kleber Malaquias e transmitir informações aos executores, permitindo que o atentado fosse colocado em prática.

Até o momento, quatro acusados já foram condenados pelo Tribunal do Júri. Entre eles estão o ex-policial militar Fredson José dos Santos, apontado como autor dos disparos, os então policiais militares Marcelo Souza e José Mário de Lima Silva, além de Edinaldo Estevão de Lima. As condenações ainda podem ser revistas pelas instâncias superiores, conforme prevê a legislação.

Na denúncia, o Ministério Público sustenta que o homicídio foi cuidadosamente planejado e executado mediante divisão de tarefas entre os envolvidos. Segundo a acusação, a motivação estaria relacionada à atuação pública de Kleber Malaquias, conhecido por divulgar denúncias envolvendo agentes públicos e supostos esquemas de corrupção e organizações criminosas. O órgão afirma que o crime foi cometido de forma a impedir qualquer possibilidade de defesa da vítima.

Em relação ao ex-PM que será julgado, a acusação afirma que ele desempenhou papel estratégico ao monitorar os deslocamentos de Kleber Malaquias e compartilhar informações com os demais integrantes do grupo. O Ministério Público sustenta que essa atuação foi fundamental para o sucesso da ação criminosa.

Para embasar a denúncia, os promotores reuniram análises de dados telefônicos, registros telemáticos, movimentações financeiras e laudos periciais produzidos durante a investigação. O conjunto probatório será apresentado ao Conselho de Sentença, que decidirá pela condenação ou absolvição do acusado após os debates entre acusação e defesa.

Embora o julgamento represente a etapa final do processo principal, uma das perguntas que mais marcaram o caso continua sem resposta: quem determinou a morte de Kleber Malaquias? A ausência de um mandante identificado mantém aberta uma das principais lacunas de um crime que provocou forte repercussão política e social em Alagoas.

Paralelamente, o Ministério Público informou que o procedimento envolvendo o policial civil Eudson Matos, investigado em um desdobramento do caso, permanece sob segredo de Justiça por determinação do Tribunal de Justiça de Alagoas.

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