Centenário de Milton Santos e suas contribuições para a geografia

Centenário de Milton Santos e suas contribuições para a geografia

No dia 3 de maio, o Brasil celebra o centenário de Milton Santos, um influente geógrafo cuja obra continua a impactar discussões sobre desigualdades sociais e espaciais.

Legado e inspirações contemporâneas

A cidade de São Luís, no Maranhão, ilustra as teorias de Milton Santos, especialmente em um estudo conduzido pela professora Livia Cangiano da USP. As diferenças entre grandes supermercados e mercadinhos locais evidenciam os desafios enfrentados por populações de baixa renda.

Milton Santos dividiu a economia urbana em dois circuitos: o superior, concentrado nas grandes empresas, e o inferior, composto por pequenos negócios que atendem a demandas locais. Livia destaca que muitos residentes da periferia desenvolvem suas próprias iniciativas comerciais para atender suas necessidades, como a venda avulsa de produtos alimentícios, uma prática adaptada à realidade econômica de seus clientes.

As ideias de Milton também são aplicadas em pesquisas internacionais, incluindo projetos em Gana, Londres e Paris, demonstrando a relevância global de suas análises sobre urbanidade e desigualdade.

Nascido em 1926 na Bahia, Milton Santos formou-se na Universidade Federal da Bahia e obteve seu doutorado na França. Seu exílio durante a ditadura militar o levou a ensinar em diversas partes do mundo, e seu retorno ao Brasil solidificou seu papel como um dos principais geógrafos. Apesar de enfrentar racismo na academia, sua obra inspirou muitos, incluindo a geógrafa Catia Antonia da Silva, que destaca a importância de suas contribuições para a compreensão das desigualdades no contexto racial e social.

Milton Santos também enfatizou que as desigualdades urbanas não são acidentais, mas resultados de decisões políticas. Essa visão é crucial para entender a distribuição desigual de serviços nas cidades e suas implicações para diferentes grupos sociais. Seus escritos, como “Por uma outra globalização”, contendem críticas à forma como a modernização pode aprofundar desigualdades globais.

Apesar das dificuldades que descreve, ele propõe que tecnologia e redes podem ser usadas por comunidades para desenvolver alternativas que desafiem as normas estabelecidas. Sua abordagem sugere que as periferias possuem potencial para criar novas formas de resistência e reinvenção social.

O centenário de Milton Santos será celebrado com eventos nacionais, incluindo o Seminário Internacional na USP, a partir de 4 de maio, e palestras promovidas pelo Sesc no Rio de Janeiro, durante todo o mês. Em agosto, a Universidade Federal do Tocantins sediará um evento para discutir suas ideias em um contexto internacional.

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