Irã Reabre Estreito de Ormuz em Meio a Cessar-fogo, mas EUA Mantêm Bloqueio Naval
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"O Irã anunciou a reabertura completa do Estreito de Ormuz para embarcações comerciais durante o cessar-fogo com os EUA, mas o ex-presidente Donald Trump afirmou que o bloqueio naval americano persistirá até um acordo de paz ser concretizado. A decisão iraniana gerou reações mistas e impactou o mercado internacional de petróleo."
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou nesta sexta-feira (17/4) que o Estreito de Ormuz está “completamente aberto” para a passagem de todas as embarcações comerciais, válido pelo período restante do cessar-fogo. A medida, anunciada em suas redes sociais, segue uma rota coordenada pela Organização de Portos e Assuntos Marítimos da República Islâmica do Irã e ocorre em conformidade com o cessar-fogo estabelecido no Líbano, que tem previsão de expirar em 22 de abril.
A notícia foi rapidamente celebrada pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em sua plataforma Truth Social. Trump agradeceu e afirmou que o Irã concordou em não usar mais o estreito como arma. Contudo, em um movimento contraditório, o ex-presidente reiterou que o bloqueio naval imposto pelos EUA aos portos iranianos e ao próprio Estreito de Ormuz continuará em vigor. Segundo ele, a restrição só será suspensa quando um acordo de paz completo for alcançado entre os dois países, um processo que, em sua visão, deveria ser rápido, dada a negociação avançada de muitos pontos.
O bloqueio americano foi instituído no início da semana, após o Irã ter fechado o vital canal de transporte de petróleo por semanas, em retaliação a um ataque conjunto dos EUA e Israel em fevereiro. A reabertura do estreito, um dos pontos mais estratégicos para o comércio global de petróleo, teve impacto imediato nos mercados. O preço do barril de petróleo Brent caiu mais de 10%, ficando abaixo dos US$ 90, após ter superado os US$ 98 no início do dia. Antes do conflito, o Brent era negociado a menos de US$ 70, chegando a mais de US$ 119 no pico da crise.
A postura iraniana gerou forte reação negativa na imprensa do país. Veículos como a TV estatal e as agências Tasnim e Fars, ligadas à Guarda Revolucionária Islâmica, criticaram a comunicação do Ministério das Relações Exteriores. A Tasnim considerou a publicação “ruim e incompleta”, afirmando que a passagem seria “inválida” se o bloqueio naval americano persistisse. Já a Rede de Notícias Estudantis (SNN) e a Fars pediram esclarecimentos das autoridades, buscando contestar a “vitória” percebida por Donald Trump e evitar que a narrativa inimiga prevaleça na opinião pública interna.
Trump também aproveitou a oportunidade para ironizar uma oferta de ajuda da OTAN para assegurar o tráfego em Ormuz, classificando a aliança como “inútil” e um “tigre de papel”. Ele agradeceu a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar pela colaboração e mencionou que os EUA trabalharão com o Líbano para resolver a “situação do Hezbollah”, garantindo que Israel não bombardeará mais o país. O ex-presidente prometeu “tornar o Líbano grande novamente”, ecoando seu famoso slogan de campanha.
Fonte: BBC
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