{"id":5229,"date":"2026-08-10T13:58:41","date_gmt":"2026-08-10T13:58:41","guid":{"rendered":"https:\/\/cnnbra.com.br\/al\/?p=5229"},"modified":"2026-08-10T13:58:42","modified_gmt":"2026-08-10T13:58:42","slug":"seguranca-hidrica-wadson-regis-usa-exemplo-do-ceara-para-cobrar-acao-contra-a-seca-em-alagoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnnbra.com.br\/al\/blog\/2026\/08\/10\/seguranca-hidrica-wadson-regis-usa-exemplo-do-ceara-para-cobrar-acao-contra-a-seca-em-alagoas\/","title":{"rendered":"SEGURAN\u00c7A H\u00cdDRICA &#8211; Wadson Regis usa exemplo do Cear\u00e1 para cobrar a\u00e7\u00e3o contra a seca em Alagoas"},"content":{"rendered":"\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Jornalista e defensor do movimento Barragens J\u00e1! afirma que o Estado precisa transformar \u00e1gua dispon\u00edvel em seguran\u00e7a, produ\u00e7\u00e3o e desenvolvimento antes que uma nova estiagem agrave o cen\u00e1rio<\/h5>\n\n\n\n<p>A experi\u00eancia do Cear\u00e1 durante a crise h\u00eddrica dos anos 1990 voltou a ser usada como refer\u00eancia para discutir o futuro da seguran\u00e7a h\u00eddrica em Alagoas. Enquanto os cearenses encontraram uma resposta emergencial para evitar o colapso no abastecimento de Fortaleza, Alagoas chega a mais um per\u00edodo de chuvas com munic\u00edpios afetados pela seca e diante da possibilidade de uma estiagem mais severa nos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1993, Fortaleza enfrentava uma situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica. O abastecimento da capital e da Regi\u00e3o Metropolitana estava amea\u00e7ado, e o governo estadual precisava encontrar uma alternativa em pouco tempo. O ent\u00e3o governador Ciro Gomes reuniu t\u00e9cnicos e engenheiros para buscar uma sa\u00edda. A constru\u00e7\u00e3o de uma grande obra em prazo reduzido parecia, inicialmente, uma tarefa praticamente imposs\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>A solu\u00e7\u00e3o partiu de uma mudan\u00e7a na forma de encarar o problema. Em vez de concentrar esfor\u00e7os naquilo que n\u00e3o poderia ser conclu\u00eddo imediatamente, a equipe passou a trabalhar sobre uma pergunta diferente: quanto seria poss\u00edvel fazer dentro do tempo dispon\u00edvel? A partir da\u00ed, as obras foram divididas em v\u00e1rias frentes e executadas em ritmo de emerg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado foi o Canal do Trabalhador, constru\u00eddo para transportar \u00e1gua e contribuir com o abastecimento da Regi\u00e3o Metropolitana de Fortaleza. A obra se tornou um exemplo de resposta r\u00e1pida diante de uma crise que amea\u00e7ava atingir diretamente milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Wadson Regis, jornalista e defensor do movimento Barragens J\u00e1!, a experi\u00eancia cearense n\u00e3o deve ser simplesmente reproduzida em Alagoas, mas pode servir como refer\u00eancia sobre a necessidade de tomar decis\u00f5es antes que uma crise alcance propor\u00e7\u00f5es maiores.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm 1993, Cear\u00e1 e Alagoas estavam diante de um desafio semelhante: como garantir \u00e1gua para o futuro? O Cear\u00e1 decidiu correr contra o tempo. Alagoas ainda corre atr\u00e1s do tempo perdido\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>A compara\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m passa pelo Canal do Sert\u00e3o Alagoano. Concebido ainda no in\u00edcio dos anos 1990, o projeto foi planejado para levar \u00e1gua do Rio S\u00e3o Francisco ao interior do Estado, com uma extens\u00e3o prevista de aproximadamente 250 quil\u00f4metros. Apesar da dimens\u00e3o estrat\u00e9gica, a obra ainda n\u00e3o alcan\u00e7ou toda a extens\u00e3o projetada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse ponto que Wadson defende uma mudan\u00e7a na forma como Alagoas trata seus recursos h\u00eddricos. Para ele, o problema n\u00e3o est\u00e1 apenas na aus\u00eancia de \u00e1gua, mas na capacidade de armazen\u00e1-la, distribu\u00ed-la e utiliz\u00e1-la de maneira planejada durante os per\u00edodos de abund\u00e2ncia e escassez.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO que falta em Alagoas n\u00e3o \u00e9 \u00e1gua. \u00c9 determina\u00e7\u00e3o. N\u00f3s temos rios, temos o S\u00e3o Francisco e temos per\u00edodos de chuva. O que precisamos \u00e9 planejamento para armazenar, distribuir e transformar essa \u00e1gua em vida, produ\u00e7\u00e3o, emprego e desenvolvimento\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>O alerta ganha peso diante da situa\u00e7\u00e3o enfrentada atualmente por munic\u00edpios alagoanos. A seca j\u00e1 provocou o reconhecimento de situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia em diferentes localidades, enquanto os pr\u00f3ximos meses exigem aten\u00e7\u00e3o para os impactos sobre o abastecimento, a agricultura, a pecu\u00e1ria e a economia das regi\u00f5es mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do movimento Barragens J\u00e1!, esperar apenas pela regularidade das chuvas n\u00e3o \u00e9 suficiente. A proposta \u00e9 que o Estado tenha uma estrat\u00e9gia permanente, capaz de garantir reservas de \u00e1gua e reduzir os efeitos de per\u00edodos prolongados de estiagem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVamos continuar esperando a pr\u00f3xima seca chegar para come\u00e7ar a discutir solu\u00e7\u00f5es? Ou vamos ter a determina\u00e7\u00e3o que o Cear\u00e1 teve quando viu que n\u00e3o poderia esperar o colapso acontecer?\u201d, questiona Wadson.<\/p>\n\n\n\n<p>A proposta defendida pelo jornalista vai al\u00e9m da constru\u00e7\u00e3o de barragens. O planejamento deveria integrar canais, a\u00e7udes, recupera\u00e7\u00e3o de rios, desassoreamento, sistemas de abastecimento, monitoramento e outras a\u00e7\u00f5es voltadas \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o e ao uso racional dos recursos h\u00eddricos.<\/p>\n\n\n\n<p>O argumento \u00e9 que Alagoas convive, ao mesmo tempo, com dois extremos. Em determinados per\u00edodos, o excesso de \u00e1gua provoca enchentes e preju\u00edzos. Em outros, a falta de armazenamento deixa comunidades, produtores rurais e munic\u00edpios expostos \u00e0 estiagem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s n\u00e3o queremos aprisionar os rios. Queremos libertar Alagoas do ciclo de enchentes, secas e oportunidades perdidas. Barragens n\u00e3o s\u00e3o apenas concreto. S\u00e3o prote\u00e7\u00e3o, \u00e1gua para produzir e seguran\u00e7a para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Wadson, o momento exige que o Estado deixe de agir apenas diante das emerg\u00eancias e passe a trabalhar com planejamento de longo prazo. A experi\u00eancia do Cear\u00e1, segundo ele, mostra que decis\u00f5es tomadas sob press\u00e3o podem evitar consequ\u00eancias ainda maiores quando existe disposi\u00e7\u00e3o para transformar urg\u00eancia em a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAlagoas pode esperar a pr\u00f3xima semana chegar. Ou pode decidir, agora, correr contra o tempo. Barragens J\u00e1! \u00c1gua temos. O que precisamos \u00e9 transformar \u00e1gua em seguran\u00e7a, produ\u00e7\u00e3o e futuro\u201d, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jornalista e defensor do movimento Barragens J\u00e1! afirma que o Estado precisa transformar \u00e1gua dispon\u00edvel em seguran\u00e7a, produ\u00e7\u00e3o e desenvolvimento antes que uma nova estiagem agrave o cen\u00e1rio A experi\u00eancia do Cear\u00e1 durante a crise h\u00eddrica dos anos 1990 voltou a ser usada como refer\u00eancia para discutir o futuro da seguran\u00e7a h\u00eddrica em Alagoas. 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