Deputados já somam 14 assinaturas para abrir comissão que vai apurar a aplicação de R$ 117,9 milhões em fundo quebrado; rombo afeta aposentados de Maceió
A Assembleia Legislativa de Alagoas está prestes a abrir uma caixa de Pandora. O requerimento para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e investigar o sumiço de R$ 117,9 milhões do Instituto de Previdência de Maceió (Iprev) já conta com o apoio de 14 deputados. O líder do PT na Casa, Ronaldo Medeiros, estima que o grupo deve bater a marca de 20 assinaturas até esta sexta-feira (3), atraindo inclusive nomes da oposição.
O objetivo da CPI é descobrir o que motivou a prefeitura da capital a injetar uma fortuna em títulos financeiros de alto risco — apelidados de “letras podres” — do Banco Master, instituição que acabou de sofrer liquidação e faliu.
Como o Fundo Garantidor de Crédito cobre apenas prejuízos de até R$ 250 mil por investidor, a avaliação nos bastidores é de que o dinheiro dos servidores públicos municipais virou fumaça. “Quem vai pagar por essa perda dos aposentados da Prefeitura de Maceió?”, questionou o deputado Medeiros, que lidera a coleta de assinaturas ao lado dos emedebistas Dr. Wanderley e Remi Calheiros.
Mesmo com o início do recesso parlamentar neste mês de julho, os deputados não querem perder tempo. Medeiros convocou uma reunião para definir uma força-tarefa que vai enviar ofícios cobrando explicações imediatas da prefeitura e da direção do Iprev. As suspeitas que correm na imprensa local são graves e incluem denúncias de que assinaturas de conselheiros do instituto teriam sido falsificadas para autorizar a transação fraudulenta.
Logo que os trabalhos legislativos voltarem em agosto, o pedido será entregue formalmente ao presidente da Assembleia, Marcelo Victor (MDB), para que a CPI seja instalada imediatamente. O comitê pretende colher depoimentos e enviar um relatório robusto para as polícias Civil e Federal.
O escândalo do Banco Master não é exclusivo de Alagoas. A instituição financeira arrastou com ela fundos de previdência dos estados do Rio de Janeiro, Amazonas, Amapá e de pelo menos outras 15 prefeituras pelo Brasil. O dono do banco, Daniel Vorcaro, está preso e tenta fechar um acordo de delação premiada com a Polícia Federal e o STF.












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