Transtornos alimentares afetam mais de 20% dos jovens e trazem graves prejuízos físicos, alerta médica

Transtornos alimentares afetam mais de 20% dos jovens e trazem graves prejuízos físicos, alerta médica

Além do sofrimento psicológico, quadros como anorexia e bulimia provocam anemia, fadiga e perda de massa muscular; nutróloga chama a atenção para os riscos do “efeito sanfona”.

No Dia Mundial de Conscientização dos Transtornos Alimentares, celebrado neste 2 de junho, especialistas acendem o alerta para os graves reflexos que essas condições provocam na saúde física. Um estudo publicado em 2023 no JAMA Pediatrics, abrangendo dados de 16 países — incluindo o Brasil —, revelou que mais de 20% das crianças e adolescentes com idades entre 6 e 18 anos dão sinais de sofrer com algum transtorno alimentar, registrando-se uma incidência mais alta entre as meninas.

A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) estima que a convivência com essas patologias atinja mais de 70 milhões de pessoas globalmente. Entre as manifestações mais frequentes estão a anorexia nervosa, caracterizada pela restrição alimentar severa e perda de peso acentuada; a bulimia, marcada por crises de compulsão seguidas por métodos compensatórios, como o vômito induzido; e o transtorno da compulsão alimentar, em que há consumo excessivo de comida e perda de controle.

Impactos profundos no metabolismo e no organismo

A médica nutróloga Eline Soriano esclarece que, embora essas condições possuam uma forte raiz psicológica, os danos causados ao corpo são intensos e evolutivos. A especialista enumera sintomas físicos comuns que servem como sinal de alerta, tais como a queda de cabelo, cansaço crônico, desregulação hormonal, carência de vitaminas, anemia, episódios de irritabilidade, perda de foco e redução de massa muscular. Em cenários de maior gravidade, as funções metabólicas, hormonais e o sistema cardiovascular podem ser seriamente comprometidos.

A profissional desmistifica a ideia de que o emagrecimento rápido seja um sinônimo mecânico de bem-estar. Segundo a médica, quando a rotina alimentar passa a ser pautada pelo medo de comer, culpa ou restrições severas, o metabolismo é prejudicado e o organismo entra em um estado de alerta contínuo.

Os perigos da pressão estética e dietas extremas

Outro ponto de preocupação destacado pela nutróloga envolve os ciclos repetitivos de restrições severas seguidas por exageros, comuns em indivíduos que buscam perder peso sem a devida supervisão de profissionais. Eline Soriano adverte que o conhecido “efeito sanfona” vai muito além de um incômodo visual, uma vez que oscilações abruptas de peso têm o potencial de desequilibrar os hormônios, desencadear processos inflamatórios e gerar graves deficiências de nutrientes.

A imposição por padrões estéticos e a enxurrada de conteúdos sem embasamento científico espalhados pelas redes sociais agravam o problema, mascarando comportamentos de risco entre o público feminino e os mais jovens. A especialista reforça que a busca pelo corpo ideal não deve comprometer o funcionamento do organismo, tornando o diagnóstico precoce e o tratamento com uma equipe multiprofissional caminhos indispensáveis para reverter os danos físicos e comportamentais, garantindo que o emagrecimento ocorra de forma segura e saudável.

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