Entrada de estrangeiros mais que dobrou no início de 2026; consultor imobiliário explica que sucesso financeiro depende de operação profissional e rede de apoio para limpeza e manutenção.
O mercado de locação por temporada em Alagoas está vivenciando um forte aquecimento impulsionado pelo crescimento expressivo do turismo internacional. Nos primeiros quatro meses de 2026, o desembarque de viajantes estrangeiros no estado deu um salto de 108% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Dados da Embratur apontam que o território alagoano recebeu 18.458 visitantes de fora do país entre janeiro e abril, superando com folga os 8.846 registrados nesse intervalo em 2025.
Esse fluxo foi diretamente impulsionado pela ampliação da malha aérea, que ganhou novas frequências de voos partindo de destinos como Argentina, Portugal e Uruguai. Conforme informações da Secretaria de Estado do Turismo, além desses três países, o ranking de principais emissores de turistas internacionais para Alagoas é completado por Itália e Alemanha. O movimento beneficia diretamente polos consolidados no estado, a exemplo de Maragogi, São Miguel dos Milagres, Barra de São Miguel e a Praia do Francês, em Marechal Deodoro.
Operação nos bastidores dita o lucro real
Apesar do cenário de alta demanda na plataforma do Airbnb e similares, especialistas alertam que ter o imóvel ocupado não significa rentabilidade automática. Lauro Braga, consultor imobiliário e fundador da Jarvis Imobiliária, explica que o maior erro de novos investidores é acreditar que o negócio se resume a publicar fotos em um aplicativo. Para ele, a lucratividade real depende diretamente de uma estrutura de suporte ágil e eficiente.
O especialista ressalta que administrar a rotina de check-in, check-out, lavanderia, faxina e reparos estruturais de forma solitária é o principal gargalo dos proprietários. A recomendação para quem deseja fazer a gestão por conta própria é montar uma rede local de confiança antes mesmo de abrir o calendário de reservas, garantindo que o imóvel seja preparado com rapidez e padrão hoteleiro para o próximo hóspede.
Terceirização e o perfil do investidor
Para os proprietários que não desejam transformar a locação em uma segunda profissão, o mercado alagoano tem absorvido a expansão de empresas administradoras de imóveis. Essas companhias assumem todo o ecossistema do negócio: desde a criação dos anúncios nas plataformas e precificação inteligente até o atendimento direto ao cliente, coordenação de limpezas e reparos.
Lauro Braga aponta que o custo dessa terceirização costuma girar em torno de 20% do faturamento bruto do imóvel. Diante de taxas de administração muito parecidas no mercado, o investidor deve basear sua escolha pelo histórico de avaliações da empresa e pela capacidade de manter a propriedade bem pontuada nas plataformas digitais.
Por fim, o consultor lembra que o investidor precisa separar o gosto pessoal da lógica financeira. A compra do imóvel deve considerar o potencial de atração de público da região durante o ano inteiro, a facilidade de acesso e a concorrência local, e não as preferências de lazer do próprio dono.












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