Em Aracaju, as catadoras de mangaba estão lutando para proteger suas comunidades e modos de vida diante da pressão pela expansão imobiliária. A mangaba, um fruto característico e vital para a cultura local, tornou-se símbolo de resistência para as famílias extrativistas que dependem dessa atividade para sustentar suas vidas.
Desafios e iniciativas para a preservação
As áreas onde as catadoras de mangaba atuam estão ameaçadas pela crescente urbanização no sul da cidade. A presidente da Associação das Catadoras e Catadores de Mangaba Padre Luiz Lemper, Maria Eliene Santos, expressa a importância da preservação: “Eu me sinto guardando um tesouro da humanidade”.
A associação desempenha um papel crucial, orientando a produção e preservando conhecimentos tradicionais. Recentemente, a entidade recebeu R$ 45 mil do Ministério do Meio Ambiente para promover a conservação e o turismo sustentável. O Plano de Manejo Popular da reserva busca fortalecer a gestão participativa, registrando a memória histórica e fomentando o ecoturismo na região.
As catadoras enfrentam a ameaça de transformação da Reserva Extrativista em um parque urbano, o que poderia prejudicar suas práticas tradicionais. Apesar da luta pela preservação, as catadoras ainda lidam com o legado de um histórico de degradação ambiental, e a morte do missionário Uilson de Sá, defensor da causa, enfatiza a necessidade urgente de apoio e segurança para a comunidade.
A produção da mangaba, considerada patrimônio cultural estadual, tem sofrido com a diminuição do território disponível devido à urbanização. Embora Sergipe tenha sido por muito tempo o principal produtor da fruta no Brasil, actualmente ocupa a quarta posição. As catadoras, por sua vez, buscam alternativas para aumentar sua resiliência econômica, incluindo o desenvolvimento de turismo comunitário e a produção de produtos derivados da mangaba.
A prefeitura de Aracaju informou que apoia a construção de uma unidade de beneficiamento para as catadoras, garantindo que a autonomia da comunidade sobre o território é respeitada. No entanto, a relação entre a prefeitura e as catadoras permanece cautelosa, com preocupações sobre o futuro das áreas tradicionais.












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