Cortejo no Bixiga celebra presença negra em ato simbólico

Cortejo no Bixiga celebra presença negra em ato simbólico

Na noite do dia 13 de maio, um cortejo liderado pelo bloco afro Ilú Obá de Min percorreu as ruas do Bixiga, em São Paulo, reforçando a presença negra na história da cidade. O evento, que reúne principalmente mulheres negras, é um ato político e cultural que ocorre desde 2006.

Manifesto de resistência no centro de SP

Realizada anualmente na data que marca a Abolição da Escravatura, a lavagem da Escadaria do Bixiga simboliza uma resistência à chamada falsa abolição. De acordo com Beth Beli, presidenta e diretora do bloco, o evento tem como objetivo iluminar as narrativas históricas das mulheres negras e recordar o importante papel que desempenham nas lutas por liberdade.

A ação inclui a lavagem das ruas com água de cheiro, um gesto que representa a força e a presença histórica das mulheres negras no Bixiga. Historicamente, a região é considerada um importante território negro de São Paulo, onde existiu o Quilombo Saracura e que teve papel significativo na formação do samba paulistano.

O ato também contou com a leitura de um manifesto que ressaltou a luta contínua das mulheres negras e criticou a opressão tradicional. De acordo com o texto, “as mulheres negras sempre estiveram na linha de frente das rebeliões do nosso povo”, um legado de resistência que se perpetua até os dias atuais. O Ilú Obá de Min, fundado por percussionistas como Beth Beli, chega a 20 anos de atuação em 2024 e inaugura as festividades do carnaval de rua na capital paulista.

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