A cineasta Karol Maia lança seu primeiro longa-metragem, “Aqui Não Entra Luz”, abordando a segregação dos espaços dedicados a empregadas domésticas em residências brasileiras. O filme estreou no dia 7 de novembro e traz à tona a realidade de cinco mulheres que desempenham ou desempenharam essa função no país.
Contexto sobre o trabalho doméstico no Brasil
Karol, que também assina o roteiro e a direção, se inspira na experiência de sua mãe, Miriam Mendes, que trabalhou como empregada doméstica ao longo dos anos. Ela revela as dinâmicas econômicas e sociais que envolvem essa profissão, destacando como até famílias de baixa renda contratam trabalhadores domésticos, refletindo a desvalorização do trabalho na área.
O longa apresenta a trajetória de Maria do Rosário Rodrigues de Jesus, conhecida como Rosarinha, que compartilha suas memórias e desafios enfrentados durante a vida profissional. Participar do filme é uma oportunidade de revisitar um passado difícil, mas que trouxe aprendizado e crescimento pessoal. Atualmente, Rosarinha vive em Belo Horizonte, onde se orgulha do que conquistou e sonha em um dia se aposentar e ter mais tempo para a família.
Além das histórias pessoais, o documentário abre um diálogo sobre as heranças da escravidão no Brasil ao mostrar como a arquitetura das casas reflete essa realidade. Em busca de preservar a memória histórica, Karol realiza pesquisas em locais que receberam grande número de escravizados, evidenciando a desigualdade estrutural na arquitetura das residências.
Recentemente, a Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados aprovou um projeto que visa eliminar termos como “quarto de empregada” em projetos arquitetônicos, um passo simbólico em direção a uma cultura de respeito e igualdade nas relações de trabalho.












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